Dez anos após impeachment de Dilma, antigos aliados estão em lados opostos na política
Personagens que apoiaram a saída da ex-presidente em 2016 seguiram caminhos diferentes e hoje ocupam campos distintos na eleição de 2026.
Impeachment de Dilma Rousseff foi aprovado pelo Senado em 31 de agosto de 2016, por 61 votos a 20. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff completa dez anos nesta segunda-feira (31) com parte dos personagens daquele processo hoje em lados diferentes da política nacional. Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou a perda do mandato por 61 votos a 20. Uma década depois, antigos aliados na votação estão divididos entre candidaturas e grupos políticos que disputam espaço nas eleições de 2026.
Eduardo Cunha, que presidia a Câmara quando aceitou o pedido de impeachment em dezembro de 2015, continua próximo do campo político ligado à família Bolsonaro. Candidato a deputado federal por Minas Gerais neste ano, ele recebeu apoio de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Já Simone Tebet, que votou pelo afastamento de Dilma quando era senadora pelo MDB, apoiou Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022, integrou o governo federal e agora disputa uma vaga no Senado por São Paulo pelo PSB.
Outro nome daquele período é Renan Calheiros. Presidente do Senado durante o julgamento, ele votou pela perda do mandato de Dilma, embora tenha defendido a manutenção dos direitos políticos da então presidente. Atualmente, Renan disputa novamente uma vaga no Senado por Alagoas e está no campo político aliado a Lula. Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment, chegou a ser convidada para integrar como vice a chapa de Jair Bolsonaro em 2018, mas recusou a proposta.
Dilma foi condenada pelo Senado por crimes de responsabilidade relacionados à edição de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso e a operações envolvendo recursos do Plano Safra. A ex-presidente sempre negou ter cometido crime, enquanto o PT mantém até hoje a posição de que o processo representou um golpe. Dez anos depois, além do debate sobre o impeachment, a trajetória dos envolvidos mostra como alianças políticas daquele período foram reorganizadas e passaram a seguir caminhos diferentes.




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