Emendas e ONGs viram alvo de apuração em São Paulo
Levantamento aponta movimentação de R$ 9,8 milhões em contratos entre entidades ligadas a convênios financiados por emendas parlamentares municipais.
Rede de ONGs movimentou R$ 9,8 milhões em contratos cruzados com recursos de emendas parlamentares e caso agora é alvo de apuração. Uma rede de organizações não governamentais que atua na cidade de São Paulo passou a ser alvo de questionamentos após um levantamento identificar a circulação de pelo menos R$ 9,8 milhões em contratos firmados entre entidades que receberam recursos públicos por meio de emendas parlamentares municipais.
A análise, baseada em prestações de contas de convênios celebrados entre 2020 e 2025, revelou relações de contratação recíproca entre seis organizações sociais. Parte delas compartilha dirigentes, estrutura administrativa e até endereço de funcionamento, o que levantou dúvidas sobre transparência, fiscalização e possível conflito de interesses na aplicação dos recursos.
Segundo os dados divulgados, as entidades receberam juntas cerca de R$ 36 milhões em repasses públicos durante o período analisado. No entanto, nem todas as prestações de contas estavam disponíveis, o que indica que o volume total movimentado pode ser ainda maior.
Entre os casos apontados estão contratações milionárias entre organizações que possuem dirigentes em comum. Em algumas situações, uma entidade contratava outra para executar atividades financiadas por verbas públicas e, posteriormente, recebia recursos da mesma organização em operações semelhantes.
Especialistas em Direito Público afirmam que a prática não é necessariamente ilegal, mas pode dificultar o acompanhamento da aplicação do dinheiro público. O principal risco apontado é a criação de camadas intermediárias entre o recurso recebido e sua execução final, tornando mais complexa a fiscalização por parte dos órgãos de controle.
Outro ponto que chamou atenção foi o fato de algumas entidades terem participado de contratos antes mesmo de obter credenciamento formal junto à administração municipal, conforme apontado pela apuração.
Após a divulgação das informações, a Prefeitura de São Paulo informou que encaminhou o caso para análise da Controladoria Geral do Município. O órgão abriu procedimento para verificar as operações e avaliar eventual necessidade de medidas administrativas. Enquanto a apuração estiver em andamento, as entidades citadas permanecerão sob análise dos órgãos responsáveis.
O caso reacende o debate sobre a destinação de emendas parlamentares e os mecanismos de controle utilizados para acompanhar a execução de projetos financiados com recursos públicos. Especialistas defendem regras mais rígidas de transparência e rastreabilidade para garantir maior segurança na aplicação do dinheiro destinado a ações sociais.




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