Metadados indicam edição de Moraes em contrato de R$ 131,2 milhões ligado ao Banco Master
Arquivo registra perfil identificado com o nome do ministro do STF em alteração feita antes da assinatura do acordo entre o escritório de Viviane Barci e Daniel Vorcaro.
Metadados de contrato do escritório de Viviane Barci registram edição atribuída a perfil identificado com o nome de Alexandre de Moraes. Metadados de um contrato entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, indicam que uma versão do documento foi alterada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. A edição aparece registrada às 23h04 de 15 de janeiro de 2024 no sistema Office 365. O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal teve acesso ao contrato e realizou alterações no arquivo.
O acordo previa o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos ao escritório, totalizando R$ 108 milhões. Como os valores previstos eram livres de impostos, cada parcela chegaria a R$ 3.646.529,77 em valor bruto, levando o contrato ao total de R$ 131.274.351,72. A versão analisada identifica Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, como autor do documento.
As informações do arquivo mostram que Daniel Vorcaro devolveu uma versão revisada do contrato a Viviane Barci na noite de 15 de janeiro de 2024. Cerca de uma hora e 40 minutos depois, o documento foi aberto e modificado pelo perfil associado ao nome de Moraes. A contratação foi formalizada ainda naquele mês. O material faz parte dos dados obtidos a partir do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero.
Segundo o escritório Barci de Moraes, o ministro foi consultado pela área de compliance para verificar se existia algum impedimento legal para a contratação pelo Banco Master. A banca afirmou que não identificou conflito porque Moraes não havia julgado causas envolvendo a instituição. O ministro não apresentou manifestação direta sobre os novos registros, e a defesa de Vorcaro também não comentou o conteúdo divulgado. Os metadados acrescentam um novo elemento às informações já conhecidas sobre a relação profissional entre o banco e o escritório.




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