Ibama libera três novos poços da Petrobras na Foz do Amazonas após questionamentos do MPF
Autorização amplia a exploração no bloco FZA-M-59 poucos dias depois de o Ministério Público Federal cobrar explicações sobre o licenciamento ambiental.
Petrobras recebe autorização do Ibama para avançar com três novas perfurações na Bacia da Foz do Amazonas. O Ibama autorizou nesta sexta-feira (4) a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. A decisão foi feita por meio de uma alteração na Licença de Operação nº 1684, que já permitia a perfuração do poço Morpho. Com a mudança, a estatal poderá avançar também nos poços Manga, Crotalus e Morpho Extensão.
A autorização chama atenção porque ocorre depois de questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal sobre a ampliação das perfurações. Em agosto, o MPF cobrou explicações do Ibama e afirmou que a inclusão de três novos poços na licença existente poderia desconsiderar impactos acumulados e pontos previstos nas normas ambientais. Nesta semana, o órgão voltou a se manifestar e apontou uma possível contradição entre informações apresentadas pelo Ibama à Justiça Federal e documentos administrativos sobre o tamanho e o tempo de duração do projeto.
A exploração de petróleo na região já passou por uma longa disputa ambiental. Em 2023, o próprio Ibama havia negado a licença para perfuração no bloco FZA-M-59 depois de apontar inconsistências técnicas e destacar a sensibilidade socioambiental da área. A autorização para o primeiro poço, o Morpho, veio em outubro de 2025. Em agosto deste ano, a Petrobras anunciou ter encontrado hidrocarbonetos durante a perfuração desse poço, localizado em águas profundas do Amapá.
Agora, a Petrobras informou que vai planejar a continuidade das atividades no bloco, primeiro com a conclusão do Morpho e depois com a perfuração dos outros três poços autorizados. A empresa estima gastar cerca de R$ 3,3 bilhões na campanha envolvendo os quatro poços. Mesmo com a nova licença, os questionamentos ambientais continuam no centro da discussão, principalmente depois das cobranças feitas pelo MPF ao Ibama sobre a forma usada para ampliar a autorização.




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